Bom Dia Brasil: “No primeiro dia após o terremoto, os haitianos foram aos poucos percebendo a extensão da tragédia. Ainda sem água, energia elétrica e com comunicações precárias com o resto do mundo, a população passou a noite ao relento, assustada com os constantes tremores de acomodação do solo, alguns bem fortes - mais de 30 até a tarde de quarta-feira.
Com muitos hospitais demolidos, os feridos eram socorridos na rua. O presidente René Preval sobreviveu. Ao longo do dia, ele e outras autoridades haitianas deram números desencontrados sobre os mortos: 50 mil, 100 mil, centenas de milhares. Ninguém sabe ao certo. Os desabrigados seriam entre dois e três milhões, ou seja, mais de um terço da população do Haiti.
Centenas de estrangeiros morreram ou se encontram desaparecidos. Eles estavam nos hotéis, os poucos prédios altos de Porto Príncipe, e quase todos desabaram. A sede da missão da ONU, que na prática administra e policia o país, desmoronou. Dezesseis funcionários morreram e 150 estão desaparecidos.
O presidente Barack Obama disse que a tragédia no Haiti é incompreensível e prometeu toda a ajuda necessária. Um porta-aviões americano, o USS Vinson, chega hoje ao Haiti. Aviões militares já estão levando ajuda ao país. Equipes de resgate de China, Israel, Grã-Bretanha, França, Espanha e México também devem chegar hoje ao Haiti. Cuba, Venezuela e dezenas de outros países enviaram aviões com donativos.
O Papa Bento XVI ordenou que todas as instituições de caridade católicas deem prioridade à ajuda ao Haiti. Nos Estados Unidos, a Cruz Vermelha e o Exército da Salvação estão arrecadam donativos enviados pela população: cobertores, comida, água potável e dinheiro. A situação mais dramática é de milhares de imigrantes haitianos que vivem no país e não conseguem notícias para saber se os parentes em Porto Príncipe sobreviveram ao terremoto.
Em frente à rádio haitiana Radio Soleil, no bairro do Brooklyn, em Nova York, onde se concentram os imigrantes, um grupo tentava conseguir informações. O músico Jean Victor não tem notícias de nove parentes que moram em frente a uma igreja que desabou. O sistema telefônico está quebrado, ele diz, não há como falar com ninguém lá. Arissa conta que o irmão caçula de 18 anos está desaparecido e a família toda, desabrigada. Para Ludovic, a situação é muito dura. Ele quer notícias da mãe e está disposto a ir ao Haiti para trabalhar como voluntário.
Em Porto Príncipe, onde a ajuda internacional ainda não tinha chegado, milhares de pessoas abandonadas à própria sorte se refugiaram nas calçadas sem água, comida e cuidados médicos, para passar mais uma noite de desespero.”